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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Renovando o canteiro: a importância da palhada

Agosto chegou, setembro está próximo. Embora a expectativa de ter chuvas seja frustrante essas semanas, já dá para começar a preparar o canteiro - ou a horta pras plantas de calor. Na europa é muito difundida a técnica chamada mulch, que nada mais é do que nunca deixar a terra descoberta.

Folhas secas, serragem, aparas de grama, restos de carpinado, tudo vale. O que você quer é criar um microclima superficial na terra. Imagine assim: exposta ao sol, o calor seca a terra, a radiação mata os organismos, a terra seca rápido demais para permitir que sementes germinem, o solo fica compacto e seco. Daí vem a chuva, lava aquele solo endurecido, leva mineirais embora, leva mudinhas pequenas.... E nada para nesse local.

Com a camada morta, simulando o que acontece numa floresta, há abrigo pros bichos, sombra pras mudas, um verdadeiro guarda-sol e guarda-chuva pro solo. A água respinga com menos agressividade, e demora pra evaporar. Parece bom, não?

Aproveite a estação. As mostardas já podem ser colhidas, as couves, os repolhos e os brócolis de inverno. A horta vai ficando vazia, porque as brassicaceas estão começando a parar de crescer: logo vão dar flor. Aproveite a horta vazia para refazer a camada de mulch, ou cobertura morta. Se não tiver muitas folhas ou aparas de grama, pode conseguir numa madeireira um bocado de serragem - apenas tenha certeza que é de madeira sem tratamento, nada de compensados de madeira.

Flores: dálias nascendo num canteiro coberto
por serragem grossa.
Sempre bom lembrar que a terra cultiva a si própria. Se você a mantém coberta de matéria orgânica, bem cuidada, com plantas e palhada, ela já está pronta pra recomeçar. A única vez que deve-se revolver o solo é quando vamos começar uma horta. Especialmente se o solo estiver muito compacto, duro, seco, argiloso, descoberto. O sol foi endurecendo a argila, a água levou embora os nutrientes e fica difícil qualquer planta conseguir penetrar as raízes num solo assim. Melhor dar uma melhorada, não?

Assim, revolver o solo pode ser uma boa ideia se você está começando um canteiro agora, ou nunca colocou mulch no seu. Não precisa cavar muito profundo, afinal, você não quer fazer um massacre de minhocas. Uns 5 centímetros está bom. A adição de nutrientes deve ser sempre com base nas demandas do solo.

Solo: compacto, raízes superficiais, argiloso, raso
Preparando um novo canteiro com adubação e mulch

Aqui em casa, de solo argiloso compacto e rico em alumínio, a instrução foi adicionar calcáreo. Assim, fui revolvendo, adicionei uma quantidade pequena de calcáreo dolomítico e misturei na camada.

O calcáreo dolomítico é rico nos micronutrientes essenciais: cálcio, magnésio e enxofre. De quebra, levanta um pouco o pH do solo, reduz o aluminio disponível, o que é bom. Junto com ele, adiciono uma dose pequena de terra do galinheiro do vizinho mais esterco de vaca que pegamos no caminho. Ambos são ricos em microorganismos benéficos, e boas fontes de nitrogênio. Pode-se adicionar um pouco de cinzas de fogueira, ricas em fósforo e potássio, que ajudam a regular o pH do solo. Misture tudo muito bem, umedeça suavemente, cubra co folhas secas e deixe descansar alguns dias, para que o pH se estabilize.

Depois disso, pode-se adiciona um pouco de terra de floresta, folhas secas e terra de composteira. Pronto, dá-lhe humus e outros materiais para ajudar a aerar o solo, manter sua estrutura, trazer organismos benéficos. Já vai dando pra perceber que a terra fica mais estruturada, demora mais pra secar, retém mais água. Misture tudo muito bem, cubra com folhas secas e umedeça.


Meu canteiro sorguido: terra boa misturada com matéria
orgânica e coberta com palhada.
Pedras encontradas no terreno: pesadas!

Eu gosto pessoalmente de fazer canteiros soerguidos. Esse canteiro nada mais é que um canteiro plantado acima do nível do solo. Ele é geralmente feito para facilitar a colheita de plantas com raízes: batata, beterraba, rabanete, batatas doces, tupinambos, cebolas, alhos... Mas também é uma boa opção se sua área tem solo muito duro ou se o solo é muito pobre e seco, ou muito arenoso, ou muito argiloso. Assim, é feita uma camada de terra boa acima do solo, o que deve ser suficiente para cuidar de plantas de médio porte.

Aqui em casa tenho muitas pedras naturais do terreno à minha disposição. Resolvi fazer um canteiro em meia-lua integrado com o solo, de forma que ele não ficasse todo cercado e as plantas pudesse se alastrar. Puxei a terra pro local do canteiro, cerquei com as pedras, cobri com a terra de composteira. Como meu solo aqui é raso, as plantas de porte pequeno ganham uma vantagem extra na hora de penetrar no solo.

Paralelamente a isso, vá semeando suas mudinhas num vaso ou numa sementeira. Claro, as que toleram transplante. Os feijões em geral não gostam de ficar mudando de lugar. As demais verduras, especialmente as solanáceas (jiló, berinjela, fisalis, tomate), toleram muito bem.

Essas semanas até a primavera elas vão crescer na sementeira, e já podem ir para a horta. Veja o que temos feito.

As ervilhas podem ser plantadas direto na terra.
 Aproveite o frio, elas adoram! Ah, o verde são folhas
de uma palmeira podada, colocadas pra proteger a terra.

Pedras que sobraram da pavimentação da rua, um galho caído.
Em 3 semanas, uma horta formada!

Pedras em volta, verduras dentro: a palhada ajuda a
manter umidade, as regas são reduzidos.
 Nesse canteiro, adubação com chorume de composteira.

Na sua casa, no seu quintal, não importa seu tipo de solo, adubação orgânica é sempre bem vinda. Esterco, terra de composteira, humus de minhoca, casca de ovo, cinza de fogueira, terra de curral, chorume de composteira. Aposto que pelo menos uma dessa opções é acessível. Depois, cubra tudo com folhas secas, serragem, aparas de grama. As plantas vão que vão!


2 comentários:

  1. Adorei a vivência. Muitas práticas positivas. Você mora em lugar mais frio e aberto?

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