sábado, 17 de setembro de 2016

Trapoeraba, morugem e erva pepino: aprenda a diferenciar.

Trapoeraba, morugem e erva-pepino.
Três plantinhas que estão muito bonitas essa época do ano aqui em São Paulo, devido ao tempo ainda fresco, porém ensolarado e com alguma chuva, são as trapoerabas (na verdade, as trapoerabas estão lindas o ano todo, porém essa época do ano florescem abundantemente), a erva-pepino (uma urtiga que aprecia umidade e tempo mais fresco) e a morugem (uma planta de climas mais frios que é abundante essa época). 

Porém, as três plantinhas são rasteiras, de pequeno porte, apreciam locais sombreados e crescem praticamente juntas. Como diferenciá-las?

Flor da trapoeaba

Um mar de trapoerabas crescendo na horta.
A trapoeraba (Tradescantia fluminensis) é a mais suculenta das três, com folhas arredondadas, brilhantes, alternas e com flores vistosas (brancas, rosadas ou azuis). Nasce rente à terra e as raízes partem de diversas partes do caule. Na culinária, as folhas e brotos podem ser refogados separadamente ou cozidos juntos com grãos e cereais, acrescentada no final do preparo para uma textura crocante. As trapoerabas azuis exigem mais cozimento e são fibrosas. O sabor é delicado e suave. Lembrando que as trapoerabas de folhas roxas não são comestíveis.

Erva pepino, antes da floração.
Erva pepino em floração. Reparou?
A erva-pepino (Parietaria debilis) possui as folhas opacas, tem caule frágil e quebradiço, e das três, é a menos prostrada - cresce apontando para cima. As flores são minúsculas e crescem por toda parte superior, próximas do broto. Além disso, tem um sabor pronunciado de pepino. Ou seja, é bem difícil de confundir. Come-se em saladas, ou refogada. Para ser cozida será necessário uma grande quantidade.

Morugem debruçada sobre os canteiros
Morugem à esquerda, erva-pepino à direita.
Repare no padrão de floração.
A morugem, também chamada de erva-de-pinto (Stellaria media), por fim, se entrelaça formando verdadeiros tapetes, sendo indesejada por sufocar diversas plantas, especialmente quando ainda são jovens. Como característica, possui pequenas flores em forma de estrela, brancas, com dez pétalas, muito pequenas - é preciso prestar atenção. Muito usada na medicina popular, especialmente em Portugal, como diurética, anti-inflamatória e cicatrizante. Tem um sabor agradável peculiar, um tanto forte, sendo um acréscimo interessante para saladas (alguns consideram como um sabor que lembra o milho quando cozido na própria palha). É possível também ser transformada em pesto, produzindo um molho de sabor intenso e verde vivo. Uma receita de sopa com ela que já testei é essa aqui (em inglês).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Coccinia grandis, pepininho, pepino-vermelho

Fruto amadurecendo e fruto ainda verde.
Dessa fruta (ou seria fruto?) eu ganhei uma estaca da dona Geni em um piquenique de trocas de mudas e sementes há quase um ano. Não passava de uma estaca quase seca, com dois nós (a parte espessada do caule, de onde saem as folhas). Dona Geni foi explícita - enterre um nó, de onde saem as raízes, e deixe o outro pra fora, de onde sairão folhas. E a muda demorou, mas foi crescendo. 

Ano passado, a vinha começando a se enrolar
nos outros vasos. Cresce em velocidade impressionante.
Um ano depois, emaranhada nas bertalhas. As folhas
secas são dela, que secaram repentinamente quando
esfrio para menos de 8ºC em julho.
E como cresceu rápido! Precisou ser mudada de vaso três vezes até chegar no vaso definitivo, enrolando-se junto com as bertalha-da-mata, a bertalha-coração e a bertalha-malabar, num verdadeiro embaraço verde. Os frutos quase não dou sorte de colher verdes, porque somem no meio da folhagem, reaparecendo quando maduros, escarlates.

É uma trepadeira delicada (Coccinia grandis, chamada de ivy gourd e scarlet gourd), perene, nativa da Ásia, com as folhas muito parecidas com o pepininho do mato ou pepinículo - aquele de um centímetro. Esse chega a uns bons cinco centímetros, e a planta é mais robusta. Por ser uma variedade selecionada (é um cultivar, denominado Sweet), é infértil e quase possui sementes, sendo reproduzido unicamente por estacas antigas, marrons. Não tomei coragem ainda de cortar o meu, mas quando o fizer, as ramas não devem ser destacadas, e sim virarão mudas para os amigos.

Esse é o pepino-do-mato ou pepinículo, parente,
porém bem diferente. As folhas são ligeiramente
parecidas.
A folhagem adensa quando plantado em espaldeira.

A flor, linda que só.

Fruto de vez, começando a madurar, azedinho e com as
sementes avermelhadas.

A diferença para o pepino normal não é o gosto, que realmente lembra pepino, embora mais azedinho. O fruto, colhido no ponto certo, é crocante e possui lindas sementes imersas em polpa vermelha. Quando amadurece,o que ocorre num intervalo de menos de dois dias, fica molenga e doce como um caqui, mas com gosto de absolutamente nada. Daria para fazer molhos, geléias e compotas, talvez com alguma outra fruta para dar aroma, porque é absolutamente neutro, e com uma cor vermelha muito bonita. Maduro, em nada lembra pepino, desmancha na boca.

As folhas, a exemplo da folhagem da abóbora e do chuchu, são comestíveis quando cozidas, com um sabor interessante - embora eu tenha preparado apenas uma vez e não tenha certeza se lembro bem do gosto, a tal cambuquira do pepino-vermelho.

Alguns produtores já estão comercializando em feiras orgânicas no interior de SP, e eu acho que é um ingrediente promissor para restaurantes. Imagine um sushi cujo pepino é repleto de sementes vermelhas feito jóias? Coisas que estamos para ver em alguns anos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Beldroegão. Chegou a época de fazer estacas


Colhi um bom maço. Dá para comer as folhas e
replantar para ter sempre.
Agora, com a primavera, todas as mudinhas de beldroegão (Talinum paniculatum) que estavam "adormecidas", seja pelo frio ou pela estiagem, voltaram com força e estão rebrotando. Bastou uma chuva, e duas semanas depois suas raízes espessas, negras por fora e brancas por dentro, emitiram brotos verdinhos em busca de sol. Em uma praça aqui perto de casa crescem à olhos vistos, ainda que minguadas pelo solo pobre e duro.

É uma planta, além de ornamental, nativa e comestível, muito resistente, pouco atacada por insetos, da qual se come a raiz, folhas, flores e até sementes. Se desenvolve bem no sol ou na sombra. Ou seja, vai em qualquer lugar, mesmo em vasos, então é uma daquelas plantas que você precisa ter na horta.

Beldroegão rebrotando com o calor (e as chuvas).
Enquanto nós não damos atenção para ela, fora do Brasil é uma iguaria, e um professor da Universidade de Melbourne, o Prof Chris Willians, me contou que em suas viagens já a encontrou a venda, por preços razoáveis, sob o nome de Ceylon spinach ou ainda Philippine spinach. Ou seja, nenhuma novidade sobre seu uso alimentar. Similar a um espinafre, possui um sabor característico e pode ser consumida crua ou cozida.

Os nomes são vários, chamada ainda de cariru, lingua de vaca, major-gomes, entre outros inúmeros nomes populares. Também a outra espécie parecida, de folhas mais claras, menor porte e flores maiores, de usos similares, denominada Talinum triangulare, muitas vezes Talinum fruticosum.
Fiz um experimento e posso afirmar: embora mirradas quando espontâneas, caso sejam cultivadas em um canteiro com solo fértil, adubado com composto orgânico e irrigação periódica,a planta fica enorme, suculenta e muito produtiva. E é uma maneira de ter certeza que seu consumo é seguro, ao invés de coletar na rua.

Uma boa dica para fazer mudas é escolher estacas
com um pedaço da raíz espessa, que enraíza muito
depressa. 

Planta de um ano e de dois anos, note como a
raiz fica de fato espessa. É a reserva de energia da planta

As raízes são também comestíveis.
Para multiplicar, apesar das sementes abundantes, recomendamos fortemente o plantio por estacas ou mudas. Para colher mudas, umedeça o solo e escave-o com uma pá ou colher profunda, nunca fazendo força ou arrancar, o que pode quebrar a planta. Remover as folhas maiores ajuda a planta a não desidratar. 

Alternativamente, ela pode ser multiplicada por estacas, porções de caule de por volta de 10cm, sem flores e de preferência mais velhas (lenhosas). Essas estacas devem ser desfolhadas (com ou sem broto) e podem ser imediatamente plantadas em solo fértil, à meia sombra. Em uma ou duas semanas irão emitir raízes e formar uma nova planta, produzindo em seguida muitas folhas.
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