domingo, 21 de dezembro de 2014

É Hora da Horta.

É solstício de verão, o dia mais longo do ano. Imagine celebrar isso num terreno que mais parece um sítio, com uma horta toda caprichada, comida vegetariana, música e gente engajada em dar sua parte, trazer suas idéias, plantar uma muda, mudar o mundo (nem que seja pelas bordas).

Foi assim a nossa comemoração do Verão no encerramento de ano do pessoal do MUDA, no espaço do É Hora da Horta. Não preciso nem dizer que foi incrível, e o quanto de pessoas queridas pude (re)encontrar. As fotos vão dizer por mim o quanto foi gostoso.

Fizemos uma caminhada de reconhecimento de PANC (plantas alimentícias não-convencionais) na horta, e as plantas estavam por toda parte. As pessoas demonstraram muito interesse, e é claro, é sempre uma troca enriquecedora de experiências. Algo que sempre acontece - as pessoas trazem consigo suas referências, já conheciam de infância, comiam numa cidade do interior, a vó preparava. São as memórias trazendo a tona uma época onde nossa alimentação foi mais rica e diversificada.







































quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Terra Madre Day, outros relatos

Saiu a matéria no come-se, da Neide Rigo, e no as sementeiras, com a Eliane Barros. Matérias lindíssimas!

Agricultura urbana é centro de Encontro de Iniciativas Socioambientais

Saiu a matéria oficial do II EISA. Fotos lindas! Obrigado Juliana P. Prado!

http://www5.usp.br/76386/agricultura-urbana-e-centro-de-encontro-de-iniciativas-socioambientais/

domingo, 14 de dezembro de 2014

Caruru, Amaranto, Bredo: Espinafre grátis

Tem muita coisa gratuita nesse mundo. Agressão gratuita, amostra grátis, entrada franca, até abraços grátis a gente encontra na rua. Já comia de graça, só em boca livre. (Mas no fim, tem alguém pagando por tudo isso). De graça mesmo, só verdura nascendo no quintal. Ou na rua. Por isso, fique de olho nos espinafres, ou bredo, ou caruru, ou amarantos. O nome que você quiser, na boca é tudo a mesma coisa: espinafre. Do bom. De graça.

Você foi enganado a vida toda achando que comendo espinafre ficaria forte igual ao Popeye. Se espinafre é uma boa maromba, me digam os nutricionais. Mas da parte botânica, que é onde meto meu bedelho, má notícia: o espinafre que se come por aqui não é o espinafre do Popeye. É que aqui se popularizou a planta de nome científico Tetragonia tetragonioides, sob o nome de espinafre-da-nova zelândia. Mas ele é totalmente diferente do espinafre verdadeiro.

Spinacia oleracea, espinafre verdadeiro.

Espinafre da Nova Zelândia,
o nosso espinafre do mercado, da feira...
Praga na agricultura, comum em qualquer horta, o caruru ou bredo nasce feliz onde tiver terra e sol pra ele crescer. Não é uma grande boniteza, mas cresce muito fácil e produz muito, muito. Muitas espécies de caruru ou bredo, parentes do amaranto, possuem folhas comestíveis, na realidade, a grande maioria. Você conhece algumas: beterraba e acelga. Ainda, comemos os grãos do amaranto e da quinoa, mas as folhas são comestíveis também, desde que cozidas.

Dos nossos, consumimos mais as folhas e os grãos. As folhas são deliciosas e muito boas, iguais as do espinafre. As sementes são comestíveis também, no arroz, no pão ou na vitamina.

Das hortaliças não-convencionais, temos uma grande quantidade de membros do gênero Amarantus: A. deflexus, A. viridis, A. spinosus, A. hibridus. Todos eles chamados popularmente de caruru ou bredo, dependendo da região do Brasil que você mora. Se você já arrancou um monte deles do seu quintal, remoa-se: jogou comida fora.

Amaranto na calçada.

Outra espécie, de flores longas e pêndulas. Arbusto alto.

Outra espécie, Amaranthus hybridus. Mais chamativa.

Amaranthus hybridus, esse ganhei da Neide Rigo, de Piracaia.
 Parece crista de galo, celósia, mas não é.
Basta bater as flores para ter as sementes pretas,
nutritivas e saborosas, cozidas junto do arroz. 
A literatura indica altos valores de cálcio, magnésio, bons teores de proteínas, muitas fibras e uma boa dese de vitamina C e carotenóides. Oba!

O consumo é simples, como qualquer espinafre: sempre cozido. Nada de saladas nem sucos verdes, portanto. A explicação é simples: o cozimento remove saponinas, nitratos e ácido oxálico. Vale lembrar que o verdadeiro spinach também tem todos esses compostos. O que os cozinheiros chamam de branqueamento é o ideal para remover as toxinas e deixar só as coisas boas na verdura: ferva água, adicione a verdura, deixe por alguns segundos e escorra, voltando pra água fria. Descarte a água, nela estão as substâncias indesejadas. 

Na rua, variedade rasteira. 

Variedade rasteira, moita densa.
O cultivo é fácil, basta jogar as sementes na terra e esperar. Gosta de muito sol, pouca água e locais ventilados. É uma das poucas plantas que não deve ser adubada - ela converte o adubo em toxinas. Então, nada de colocar esterco. Ou seja, é ideal para plantar em solos pobres, onde nada mais nasce.

Receitas? Qualquer uma que use espinafre. Lasanha, molhos verdes, quiches, tortas, bolos, sopas, pães, empadas. Branqueie na água fervendo, como expliquei anteriormente, pique fininho e prepare como preferir. Refogadinha no alho fica muito boa.

GUIA DE IDENTIFICAÇÃO
Amaranthus  deflexus, A. viridis, A. spinosus, A. hibridus, A. blitus, A.  Erva, de até 100cm de altura, caule ereto, muito ramificado, folhas simples, alternadas, de borda serrilhada. Caules verde ou avermelhados, com ou sem espinhos. Flores em espigas na ponta dos ramos, em geral na cor verde ou parda (exceto A. hybridyus). Sementes marrons e negras muito pequenas.  


LOCAL DE OCORRÊNCIA

Locais ou a pleno sol, pouco umidos a secos, nunca encharcados. De preferencia, solos pobres e sem adubação.


MODO DE PREPARO

Folhas e talos jovens, cozidos, escaldados ou branqueados. Sementes, inteiras.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Terra Madre Day: colhemos, comemos, trocamos

O Terra Madre Day é um evento mundial capitaneado pelo movimento Slow Food para celebrar o comer localmente.



Durante o Terra Madre Day, seja onde for, faça com que os alimentos locais sejam os protagonistas, organizando um evento, seja um piquenique, um festival dedicado à comida local, uma apresentação de vídeos, uma feira ou simplesmente um jantar com amigos. 

Para celebrar este dia, a Neide Rigo organizou um passeio urbano para reconhecimento, coleta e registro artístico de plantas alimentícias não convencionais (panc) e também das convencionais encontradas em espaços não convencionais. Como nas ultimas vezes, o encontro foi delicioso, todos levando idéias e saberes para trocarmos, comungarmos. Ainda, com as artes belíssimas da Marcela Arantes, uma ilustradora de mão cheia.

Incrível a grande quantidade de alimento que temos livre, disponível pra quem quiser nas ruas. Duvida? Veja só o resultado da col
heita em apenas poucas ruas, nas redondezas.


(Gratidão a Drika Bourquin e Eliane Barro pelas fotos)






















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