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quinta-feira, 29 de março de 2018

As PANC no Globo Reporter


Nessa sexta-feira (30/03), haverá um Globo Repórter especial inteirinho sobre as PANC. Aproveite para tirar suas dúvidas. 

Aqui na lupa, na barra da direita, jogando diversas palavras-chave você pode encontrar mais de 250 plantas com fotos, receitas e dicas de identificação. Existem tantos matos de comer gostosos, nascendo pertinho de você :)

Se precisar de um profissional para ajudar a identificar plantas, realizar cursos, aulas, workshops, oficinas, dentro da temática das PANC, você pode me contatar por aqui ou na minha página pessoal.

Você também pode baixar nossa cartilha 100% gratuita para ler onde quiser, clicando aqui.

Em breve, muitas novidades. Entre e fique à vontade :)


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Bougainville tea ou refresco de flores primavera

Cada cor de flor dá uma cor de chá. Divertido e saudável.
Ainda no tema das flores, muitas pessoas perguntam se a flor da primavera, também chamada de "buganvile", é comestível. É uma planta ornamental por excelência, muito usada em pergolas e entrada de casas, sempre com um efeito colorido muito dramático. Não tem esse nome por acaso - sua floração exuberante marca o início da estação primavera, de onde origina-se um de seus nomes populares. E sim, ela é comestível - apenas a parte colorida - as folhas aparentemente não tem uso na alimentação.


Apesar de pouco saborosas, são consideradas plantas alimentícias e também medicinais, cujo principal atrativo é a coloração, que varia do branco, aos tons de laranja e amarelo, ao rosa, vermelho e roxo. Na medicina, seus usos são como antioxidante e antiinflamatória, assim como é famoso o chá das suas flores para tosses e resfriados.

Na realidade, a parte comestível nem são as flores em si, que são diminutas, mas as brácteas florais, a parte mais vistosa e colorida da planta. Quando mais jovens, são mais macias e podem entrar como decoração de saladas, patês, tapiocas, assim como podem ser cozidas. Quando mais velhas, ficam fibrosas, mas ainda podem ser aproveitadas em infusões ou trituradas para pratos salgados e doces. Acredito que possam ser usadas em geleias, mas ainda não tentei. Na tapioca, a cor fica suave, mas em compensação, sem o sabor forte dos legumes que costumamos adicionar.

Todas colhidas em uma curta caminhada aqui em SP.

Escala de cores do bougainville tea.
Quando secam, retém a coloração, ficando lindas para a decoração de potes com ervas perfumadas, tipo pout-pourri. Triturada ou em pedaços pequenos, pode ser adicionada a massas e receitas, mantendo a coloração dos pedaços, sem "manchar" o entorno.

Para fazer a infusão colorida, ou bougainville tea, remova talos, partes verdes e as flores verdadeiras - fique só com a parte colorida. Ferva por 2 minutos e abafe por uns 10, para extrair o pigmento. Para dar sabor, pode adicionar frutas, como abacaxi, pêssego, melão, morangos e uvas, ou ainda especiarias e ervas aromáticas.

A grande vantagem das flores dessa PANC tão querida é sua suavidade. Não possuem gosto forte como a beterraba, nem acidez como o hibisco, sendo uma boa fonte de vermelhos, roxos e vinhos para o preparo de alimentos e bebidas, sem alterar o sabor. 

Segundo encontrei, as espécies comestíveis são a Bougainvillea glabra e a Bougainvillea spectabilis, e os híbridos decorrentes delas. As diferenças são poucas: uma tem folhas lisas, poucos espinhos e menor porte e a outra, folhas opacas, muitos espinhos e crescimento mais vigoroso. O que importa, no caso, é utilizar as flores, frescas ou secas.

Para o mundo dos refrescos, a primavera permite uma ampla gama de cores, as quais inclusive podem variar de acordo com o que é adicionado. O limão, por ser ácido, pode ajudar a criar novas colorações. Você pode adoçar com aquilo que preferir, assim como adicionar mais frutas. Que tal tentar uma limonada divertida, ou um chá colorido?

Limonada de primavera-escarlate. Vai resistir?
As flores podem ser desidratadas por alguns dias e armazenadas em frascos, mantendo a linda cor por muitos meses. Guarde em frasco fechado e ao abrigo da luz.



quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Salsa de huacatay com batatas (molho de tagete)


Salsa de huacatay com papas versão tupiniquim

Na onda das comidas verdes, a postagem dessa semana é sobre uma receita maravilhosa feita com um condimento PANC chamado huacatay ou menta peruana (Tagetes minuta). Essa planta é da família das tagetes e dos cravos-de-defunto, mas tem um sabor bem peculiar. 

Já falei sobre a planta aqui, como consegui identificá-la. A menta peruana é uma planta de origem andina, cultivada e consumida por lá em diversos pratos típicos. Por acaso, sua distribuição não é restrita só ao Peru, e ela ocorre em todo o Brasil, sendo considerada uma planta infestante. Aqui em São Paulo, por exemplo, já vi uma plantação de milho em Parelheiros repleta da erva. Já encontrei em uma estrada em Itu, e ela se auto-semeia e surge anualmente por toda parte. Não sei se é vendida em algum lugar, mas vale procurar semente para plantar em casa. Ah, não é o cravo-de-defunto, é uma espécie diferente com outro aroma! Se não achar o huacatay, pode tentar com cravinho-da-serra ou tagete-silvestre (Tagetes minutifolia e Tagetes tenuifolia), falamos deles aqui.

A esquerda, tagete-silvestre. Ao lado, de folhas mais
claras, a huacatay. Parecidas quando jovens, adultas se
diferem. A tagete-silvestre vira uma moita florida,
enquanto a huacatay fica espichada e não ramifica.
Aqui, ela adulta no Peru, entouceirada.
Aqui fica tão alto que é difícil enquadrar.
É um mato que cobiço razoavelmente, e quando vejo mudinha dele nascendo no meio do gramado, já corro para salvá-la e plantar na horta. Ela começa pequena mas fica muito longa, com mais de 3 metros de altura. As sementes, minúsculas, se soltam com o vento. Nascendo junto com o cravinho-da-serra, são muito parecidas.




No Peru, pude verificar que a huacatay que eles consomem, ainda trate-se da mesma espécie, possui um formato diferente - as folhas são mais largas, e a planta é baixa e ramificada. A nossa aqui é magrela e comprida. As sementes que eu trouxe de lá não brotaram por aqui. O sabor das duas é igual, por sorte. 

A receita que fiz é bem simples. O molho é o pulo do gato. Ele recebe um pouco de amendoim e é engrossado com biscoitos, o que confere um sabor de torrado que traz toda a profundidade do molho. Alguns ingredientes foram substituídos porque não temos por aqui, como a pimenta aji amarillo. Não deixe de colocar uma pimenta fresca, porque esse molho tem picância. Ficou muito parecido com os que comi por lá, apesar das variações grandes entre as receitas.

Com o molho, pronto para servir.

Aqui adicionado de ovo e folhas, como se faz
tradicionalmente. 

Salsa de huacatay con papas (adaptação brasileira)
Autoria: Guilherme Ranieri

Ingredientes:

Salsa de huacatay
1 xíc de folhas de huacatay
1 pimentão verde picado
2 cebolas médias picadas
2 dentes de alho descascados inteiros
1 colher de óleo ou manteiga
pimenta fresca picante a gosto (usei lascas de murupi fresca sem semente)
100gr de queijo fresco
1 copo de leite (usei água)
1 colher de sopa de amendoim torrado
8 bolachas do tipo "água e sal"
1 col de café de orégano
1 col de sobremesa de vinagre
20 sementes de cominho
sal a gosto
raízes a gosto (originalmente, apenas batatas, mas usei batata doce e inhame também)

Refogue o pimentão, a cebola e o alho na gordura, sem deixar dourar muito, por 5 minutos em fogo baixo. Bata juntamente com todos os ingredientes no liquidificador até obter um creme liso. Se quiser mais ralo, aumente a quantidade de líquidos. 

Cozinhe as batatas (raízes) sem casca em água com sal até amaciar. Corte em rodelas, frite brevemente em frigideira quente com azeite, para dourar, acerte o sal. Finalize com o molho (não pode estar muito grosso) e deixe ferver uns instantes. Sirva com folhas de huacatay picadas por cima.  Originalmente, é acompanhado por ovos cozidos, folhas verdes e azeitonas pretas.
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