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sexta-feira, 1 de março de 2019

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A página das Matos de Comer é mantida unicamente por mim, Guilherme Reis Ranieri, que sempre tive como prioridade produzir conteúdo de qualidade e acessível para todos os públicos. Por hora, devido a outras demandas, tenho feito postagens mais curtas no Instagram, na página da @matosdecomer ou usando a #matosdecomer para ver as postagens.

Recomendamos usar as ferramentas de busca para acessar conteúdos específicos - você pode procurar por nome popular ou científico.

Também disponibilizamos o Guia Prático de PANC, um guia para o consumidor, voltado para as PANC mais comuns das feiras orgânicas de SP, que pode ser baixado gratuitamente aqui.

Nos vemos nas redes sociais!

Um abraço,

Guilherme




segunda-feira, 4 de junho de 2018

Agrião-do-líbano, salsa-do-líbano.



O agrião-do-líbano (Apium nodiflorum) é meu mais novo xodó. Estou na fase das plantas aquáticas, como vocês vão perceber. Chamada em inglês de lebanon cress, é uma hortaliça e um tempero ainda pouco comum, usado em pequenas comunidades da Europa e Oriente médio, de onde é nativa. É uma planta silvestre que foi introduzida no Brasil, mas a qual pouca atenção comercial foi dada.

Apesar de parente da salsa e da cenoura (para mim tem sabor de cenoura), das quais o aroma é parecido, é chamado de agrião por ser uma planta anfíbia, ou seja, que tolera solos permanentemente encharcados, como brejos, beiras de lagos e córregos. Em vasos, vai muito bem, desde que não pegue sol direto por muitas horas nem pegue muito vento. É de facílimo cultivo, ideal para quem ter um vaso de PANC em casa.

Tem crescimento exuberante nesses ambientes, em especial se for em uma localidade sem sol intenso direto. Suas folhas recortadas tem um aspecto lustroso, um verde intenso e são muito delicadas e ornamentais, além de um formato inusitado. A sol pleno e na terra, fica com folhas miúdas, mas em locais mais sombreados e úmidos fica com folhas enormes e ainda assim, macias.

É uma erva muito aromática, pouco fibrosa, ideal para saladas (as folhas podem ser usadas inteiras), assim como substitui a salsa em tabules, pestos, e na finalização de diversos pratos. Também gosto de usar em sucos verdes, como tempero para limonada, e como decoração, porque seu formato peculiar e aparência de "baby leaf" são muito convidativos.

De facílimo cultivo, enraíza com facilidade a partir dos estolões que produz ao longo do caule, formando largas touceiras. Pode ser considerada invasiva, porque chega a formar grandes maciços, necessitando de de controle (talvez plantada em vaso). Segundo a amiga Geni, que cultiva as plantas na beira de uma represa, elas chegam a mais de 1m de altura. As das fotos estão novinhas, com apenas 1 mês de idade.





É boa companheira para ser cultivada abaixo de outras plantas que apreciam umidade, como taioba, inhame, cúrcuma, batata-d'água. Também cresce muito bem mesmo durante o inverno, tolerando desde meses muito quentes a muito frios. 

Nas fotos, plantas com apenas um mês de idade, produzindo em abundância, mesmo plantadas em solo seco e em local muito sombreado. A colheita deve ser feita removendo as folhas, mas mantendo o caule, que logo regenera e forma uma touceira. Acredito que seja uma planta que dê para plantar dentro de casa, próximo a uma janela. Cuidado, porém, porque ela não resiste a correntes de vento. 

Caso seja cultivada na água, é bom que seja lavada com solução de cloro ou cozida, para evitar parasitas aquáticos contaminem o alimento. 

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Diferenças entre fruta-do-conde, ata, pinha, anona, atemóia e biribá



Essa é uma dúvida que sempre surge nos e-mails que recebo. Como tinha as frutas em mãos, resolvi fazer uma postagem. A família das Anonáceas é grande e em geral, possui frutos comestíveis (in natura e também usados como condimento). Essa família é comum em regiões tropicais, sendo muito comum de norte a sul do Brasil, com inúmeros espécies diferentes que poderiam ser usadas na alimentação. O Helton, maior frutólogo do Brasil, já falou sobre várias delas (aqui).

A forma mais fácil de identificar as mais comuns talvez seja por fotos e nome científico, porque há muitos nomes populares em comum entre elas. Pinha, por exemplo, é usado para quase todas, devido ao formato que lembra a pinha do pinheiro. Ainda que possam ser parecidas, o sabor é bem diferente dependendo da espécie. Algumas, como o marolo, são muito fortes para serem comidas in natura, compondo sucos, mousses e licores.



A primeira espécie é o marolo (Annona crassiflora), também chamado de araticum e araticum-do-cerrado. Essa é bem distinta e difícil de errar - o fruto é arredondado, quando maduro fica com uma cor marrom. A casca se solta fácil em "escamas". A polpa é amarela e fortemente aromática (lembra um pouco peque e abacaxi maduro), chegando a mais de 1kg por fruto.

A segunda é a Anonna squamosa, chamada de ata, pinha, fruta do conde e anona. Essa fruta, quando madura, fica com a casca verde salpintada de preto; a casca de solta facilmente, "desmontando" as escamas. Muitas sementes, polpa "solta", muito doce, pouca acidez, textura granulosa.

A terceira é a atemóia (Anonna cherimola x squamosa) , um híbrido entre a ata (Anonna squamosa), nativa do Brasil, e a chirimoia (Annona cherimola), uma fruta Andina. O próprio nome é uma mistura das duas: ata + cherimoia = atemoia. Porque ela foi desenvolvida? Esse cruzamento surgiu buscando uma planta com a resistência e a doçura da ata, e a durabilidade, sabor, textura da cherimoia, além de menos sementes. Essa fruta pode ter tamanhos variados, mas em geral tem a casca verde e menos irregular, não fica escura quando madura, a casca não se solta facilmente da polpa, tem poucas sementes e polpa mais firme, que permite ser fatiada. O sabor é mais ácido e aromático do que a ata. O fruto pode passar de 1kg conforme a variedade, mas as comerciais são em geral do tamanho de uma laranja-bahia.

A quarta é o biribá ou pinha-amarela (Rollinia mucosa), uma planta nativa às vezes confundida e chamada de fruta-do-conde. Essa fruta é bem diferente - tem a casca amarela quando madura, sementes pretas, polpa gelatinosa (como o nome diz, lembra textura de muco), doce mas também ácida, de sabor suave e quase sem aroma. Suas muda é comumente vendida como fruta-do-conde no estado de São Paulo, mas a árvore é bastante distinta. O fruto pode passar de 1kg. 

Por fim, a graviola (Anonna muricata) é uma fruta bem distinta das demais - chega a muitos quilos, tem a casca verde, é repleta de sementes e tem a polpa muito aromática, não tão doce e levemente ácida. Ela se difere em especial, pelo tamanho, sendo quase 10x maior do que uma fruta-do-conde, por exemplo. Na aparência, ela lembra mais a atemóia.

Condessa (Anonna reticulata),
foto daqui
Adendo: existe uma fruta denominada condessa (Anonna reticulata), que não é nativa do Brasil, mas gera confusão. Ela tem a polpa branca e doce, parecida com a da ata, porém sua casca fica avermelhada e não se desmancha com facilidade.
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