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sexta-feira, 17 de março de 2017

Tarumã, uva do cerrado

Tarumã (Vitex polygama)

Os frutos, negros.

Flores do tarumã. Lindas, não?


O fruto do tarumã é PANC!
Dei a sorte de encontrar um pé de tarumã, ou uva do cerado, (Vitex polygama) gigante perto de casa. Eu já suspeitava pelas folhas com aquele formato típico, mas só tive a certeza mesmo durante a floração, com flores bem características e parecidas com as da lavanda, do manjericão e do alecrim. É planta alimentícia não convencional sim!

A árvore é de grande porte e está comprometida - a prefeitura está reformando a calçada e ela vai ser removida, seus dias estão contados. Que ao menos deixe filhos, não? Assim que passou a floração, observei a formação dos frutos, e dei sorte de estar presente enquanto eles estavam maduros.

Não espere muita coisa, já aviso. Não é fruta para se deliciar. Muito parecido com o fruto do café, caroços grandes e a polpa, escassa, uma fina película entre a casca negra e a semente. A doçura se concentra nessa nessa massa fina e esbranquiçada, sem nenhum sabor característico, apenas doce. Acidez zero, aroma zero. O que fazer com ela?

As cascas, contudo, são a parte interessante do fruto, ricas em pigmentos e portanto, um corante natural. Sem também nenhum grande sabor, fornecem uma tinta roxa muito escura, assim como a casca da jabuticaba. Por possuir pigmento e ter a casca comestível, que façamos uma geleia. Confesso que a colheita foi pequena, e metade das frutas foram para o amigo Daniel Caballero, que cuida do projeto Cerrado Infinito, e está reintroduzindo e resgatando algumas espécies em extinção na cidade.

Da parte que guardei para mim, fiz uma tímida geleia que rendeu algumas colheradas, suficientes para comprovar o sabor - não que lembre de fato a uva, mas tem aquele gostinho de frutas escuras gostoso, amora, jabuticaba, mirtilo. Fez falta, no caso, um pouco de fruta ácida para equilibrar o paladar, trazer o azedinho que compense a neutralidade da polpa. Potencial para geleia de fazer bonito com essa fruta PANC do cerrado, ainda pouco explorada.

Como já disse, não é árvore para se fartar e se lambuzar, mas os frutos podem ser aproveitados para compor blends de chás, entrar em receitas de bolos, tortas e geléias. As cascas em infusão na cachaça a deixam com uma cor linda. As sementes, quando separadas da casca, devem ser limpas, secas ao sol e podem ser plantadas em até um ano. 

Se não é arvore para alimentar pessoas, saiba que maritacas e tucanos devoram os frutos, e as abelhas e borboletas adoram passear pelas flores arroxeadas. É antes de tudo, uma árvore ornamental e para atrair animais pro jardim. Sim, tarumã é PANC, mas não para se fartar. Um mimo do cerrado, ao menos da sua porção paulista. Será que tem mais tarumã por aí?

6 comentários:

  1. Nós temos muitos tarumãs em nossa propriedade, mas ainda jovens. Esse ano a floração foi intensa e quase geral, mas em outros anos tímidas flores, com frutos muito muito pequenos em comparação aos da sua foto.

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    1. Aqui também, esse foi o primeiro ano que a frutificação foi significativa. E a floração, linda!

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  2. Eu acredito q tenha algumas na Usp, perto da odonto.

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  3. sim tem uma árvore de tarumã em minha cidade:regente feijo sp, numa área de linha férrea desativada que está sob cuidados do mnicípio que aliás, ela quem plantou, espero que seja preservada.

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