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segunda-feira, 2 de março de 2015

Physalis, Fisalis. Plante, mas não na horta.

Minha jornada com a físális começou muitos anos atrás. Fui numa festa que serviu as frutinhas como decoração. Intrigado com a forma e o sabor, guardei algumas sementes e espalhei entre os amigos. Uma vizinha ficou com algumas sementes e a muda dela produziu por mais de um ano, ficando enorme, enorme.

Nada mais numa menos do que uma frutinha do tamanho de uma moeda - até menos que uma cereja. Nasce envolta num balãozinho de palha, que fica seco quando a fruta está madura. Aliás, a proteção é dupla: a casca da fruta também é coberta por uma camada de cera escorregadia, o que impede-a de desidratar, murchar e ser atacada por insetos. Quem comeu caju maduro ou carambola na vida sabe essa sensação "gordurosa" da casca.

O sabor? No começo eu achei sonso, depois me apaixonei, porque de sonsa, ela não tem nada. É ácida e doce, lembra laranja com algo a mais, um sabor cítrico. Se estiver verdolenga, porém, amarra a boca, é amarga e tem gosto de remédio.

Você espalha e as coisas voltam pra você. Da vizinha que dei sementes, ganhei frutos, e plantei. Nasceram as netas daquela que comi na festa. Mas disso eu conto jajá. Uma coisa importante - fisális é uma fruta valiosa. E é fruta de festa porque custa caro - uma caixinha com algumas unidades custa mais de R$10,00. Em inglês, chamada de golden berry, é vendida desidratada por exatamente R$138,00 o kilo, preço que pude verificar essa semana na Zona Cerealista, aqui em São Paulo. Caro demais pra uma planta... fácil demais.

A família das solanáceas, a qual a Fisális pertence, é a mesma da berinjela, da jiló, da pimenta e do tomate, e tem várias PANC presentes na família, espalhadas pela América: a marianiera, o maná, o lulo, o melão-andino, o tomatillo e o tamarillo, para citar apenas alguns.

Cada passada pelo pé é uma surpresa.
Os frutos estão lá, basta procurar.

Pra nossa sorte, a fisális, diferente de seus parentes, não é amarga nem ardida. Ufa! É sim ácida, e pode ser bem adocicada. Você pode conhecê-la sob outros nomes: juá-de-capote e camapu. Esses nomes são os mais populares para a frutinha. Mas como seu nome científico é Physalis, eu gosto do nome fisális - e é assim que você a encontra nos mercados.

Pois bem, voltando pra história do meu pé de fisális. Fiz um canteiro novo com restos de bloco de construção, plantei várias verduras, e sem saber o que fazer com a minha mudinha de fisális , resolvi plantá-la no meio da horta. E ela foi crescendo, crescendo.... Ao contrário dos tomates, ficou indiferente à chuva, as folhas não caíram, não murcharam. Não foi atacada por pulgão, nem por cochonilhas, como as mostardas, que padeceram. Não tombou com a chuva, e aguentou bem a seca. Os ramos foram ficando longos e ela produzia cada vez mais flores. E foi ocupando o espaço da cebolinha, da rúcula, dos espinafres, dos tomates, do manjericão...

Quando percebi, na horta só restava o pé de fisális. E não foi pouco - ele cobriu mais de 4m² de área! Não sei dizer o quanto produziu, mas não faltaram frutinhas aqui em casa nenhuma vez no último ano. A colheita nunca é grande, apenas um punhado por semana, mas é contínua. A planta dá flores sucessivamente. O solo era bom, estava cheio de esterco, composto, e com uma cama de palhada bem alta, o que mostra que a fisális adora fertilidade. E retribui com gentileza e abundância.


Três meses atrás, quando a Fisális resolveu
mostrar a que veio.

Aqui tinha uma horta. Agora é um minifundio de Physalis.

A visão que você tem ao erguer um galho:
frutonas, frutinhas.
Mas toda festa tem seu fim, e o da fisális foi gradual. Primeiro, notei uma movimentação em volta dela - foi atacada por percevejos e marias-fedidas. Como deve ser venenosa, nenhum inseto toca as folhas, mas ficam de olho na fruta madura. Assim que a casquinha seca, nhac! Fazem um fura na "embalagem" e detonam a fruta. No começo, deu pra controlar a população de invasores. Catava manualmente e jogava no álcool, fazia um extrato e jogava de volta na planta. Homeopatia ou não, resolveu no começo, mas a população de percevejos evolui rápido demais (suspeito que das frutas maduras contaminadas que caiam no chão e eu não recolhi). Os galhos, com mais de 1 metro, estavam pendentes e alguns quebraram com a chuva. A produção de frutas estava irregular. Me doeu o coração, mas a generosa fisális teve seu fim. Cortei os galhos, piquei bem e reintroduzi na própria horta.

Sementes, eu guardei, mas na horta, não planto nunca mais. Ela merece canteiro próprio!

Ah, sim. Existem diversos tipos de fisális. A que eu tenho acredito ser a Physalis peruviana, mas há ainda outras espécies, como a Physalis angulata e a Physalis pruinosa, sendo essa última com um sabor bem pronunciado de abacaxi e os frutos mais alaranjados. Há ainda o tomatillo, espécie correlata, a Physalis ixocarpa e Physalis phladelphica, de consumo respectivamente cru e cozido, comuns na culinária Mexicana - eu ganhei muda, mas não produziu ainda. A fisális ornamental, ou lanterna-chinesa, de "embrulho" vermelho (Physalis alkekengi)é uma planta tremendamente invasiva e abolida em diversos países - e não é consenso de que seus frutos sejam comestíveis. Na dúvida, evite. E só plante em vaso, ou ela vai detonar seu jardim.

Tomatillo. Verde, assim mesmo. Foto daqui.

Tomatillo. Esse é roxo. Foto daqui.

Para plantar, separe as sementes da fruta, deixe secar na sombra uns dias e plante sem enterrar muito, em solo organico, fértile bem drenado. Ela produz bem em vasos também, mas plantada na terra fica enorme!

Lembrete! Consome-se apenas a fruta SEM o "embrulho". A palha e as folhas são venenosas e não devem ser consumidas!


15 comentários:

  1. Adorei a ideia...ainda mais quando vi que era notícia sua Gui!! sucesso sempre..

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  2. Uma dica: ela pega por estaca, ou seja, corte um ramo e espete-o no chão que produzirá nova planta em breve. Sobre o Physalis Alkengi, pelo que sei é comestível sim. Abraços!

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  3. Obrigada por matar minha curiosidade sobre este fruto tão belo.

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  4. Obrigada por matar minha curiosidade sobre este fruto tão belo.

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  5. Obrigada por matar minha curiosidade sobre este fruto tão belo.

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  6. Obrigada por matar minha curiosidade sobre este fruto tão belo.

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  7. Olá, apareceu essa plantinha em meu quintal, lindaaa estou cuidando está toda florida e muito carregada de frutos, vejo que tem muitas variedades,eu moro na região de restinga.

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  8. Olá, apareceu essa plantinha em meu quintal, lindaaa estou cuidando está toda florida e muito carregada de frutos, vejo que tem muitas variedades,eu moro na região de restinga.

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  9. As folhas não são venenosas, eu uso para fazer extrato

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  10. Tive a mesma experiência aqui na Fazenda Atalanta Gui, algumas physalis nasceram espontaneamente na horta, acho que vieram do composto, virou uma floresta, engoliu todo canteiro rss, acabamos deixando até ele perder sua força ai limpamos o canteiro tristes por perder as physalis, mas que nada logo havia physalis nascendo por toda a horta rs, tanta que tiramos, transplantamos, distribuímos e ainda tem algumas crescendo rss, sim ela é um ouro delicioso e merece seu próprio espaço. Grata por compartilhar sua experiencia. Beijão!

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  11. aki na minha casa tinha alguns pés q duraram por anos a fio e pretendo ter mais pés, tem como fazer muda?

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  12. Fiz um teste com as frutinhas de physalis, deixei na geladeira em um saquinho plástico, ela durou mais de 6 meses. Depois plantei sementes dessa mesma, as sementes todas brotaram, transportei para outros vasos, cresceram e se encheram de flores, mas joaininhas, maria fedidas comeram as folhas e todas as flores. Uma noite tirei cada joaninha e guardei numa caixinha. Mas foi só por duas noites que não apareceram mais. Estou esperando ovas flores.

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  13. Ganheiuma mudinha bem franzina em 2012.Transformou-se num arbusto e produziu bastante.No ano seguinte, pensei que havia perdido a planta depois que secou.Várias mudas apareceram e tive frutos novamente.Depois de 2 anos sem ver brotação,comecei nova colheita, agora em novembro, de uma muda que nasceu sozinha, de alguma semente latente na terra, em um novo canteiro.

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Aqui no sertão interior da Bahia,, nasce como mato. Ninguém come mais! Quando chove! Ano passado nasceu muitos pés no quintal de minha vó!

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