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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Chuchu-de-seda, abaty, chuchu-do-mato, cruel-vine

Fruto jovem e última flor da temporada
Ganhei minha primeira sementinha de chuchu-de-seda (Araujia sericifera) há mais ou menos um ano e meio, e a planta ficou comportada em um pequeno vasinho. Quando chegou o verão do ano passado, começou a crescer de forma desordenada, e eu, sem saber o que fazer, passei-a para a horta. Na falda de estrutura e glamour que é uma horta urbana, amarrei duas madeiras em forma de triângulo, fixei no chão, passei uns fios, e a planta se contentou. As ramas longas e brancas que surgiam em profusão, com sua coloração distinta. Eu gentilmente as enrolava, formando uma moita enovelada de trepadeira. E assim, virou um emaranhado de ramas, muito denso, mas que insistia em escapar e se enroscar nas plantas da vizinhança. É planta para se plantar com espaço e certa atenção.

Pudera, o chuchu-de-seda é uma planta de crescimento muito rápido e potencialmente invasiva, tornando-se um problema ambiental fora do Brasil. Os frutos, quando maduros, deixam de ser macios e suculentos e ficam secos e fibrosos, abrindo-se e liberando muitas pequenas sementes voadoras. Você que acompanha o blog sabe: plantas com sementes voadoras em geral são invasivas! O nome científico, sericifera, que dizer similar à seda, porque as sementes são cobertas por uma material brilhante e macio, que dá até dó de debulhar para tirar as sementes.

As sementes são rigorosamente imbricadas, e a
paina branca brilha como seda. Meio assustadora,
meio encantadora.

O fruto se abre e cada uma dessas sementes
sai voando e brota por aí. Imagina o estrago.
Para nossa sorte, cada fruto pode dar origem a muitas outras mudas, mas em locais onde ela não é nativa, isso vira uma grande dor de cabeça. Por aqui, ela é apreciada por borboletas, que fazem o controle natural da planta. E nós, que devemos e podemos consumir esse legume gostoso que é produzido em abundância no outono-inverno.

A parte comestível é o fruto, verde e tenro, que faz às vezes de chuchu pelo sabor suave e delicado. Precisa ter a pele removida e as sementes, e ficar de molho em água para perder sua seiva branca e pegajosa. É um dos poucos frutos comestíveis dessa tão tóxica família chamada Apocynacea, mais famosa por suas flores ornamentais e muito venenosas. Por sorte, o chuchu-de-vento, quando cozido, é seguro para o consumo.

Primeiro, flores perfumadas lindas e abundantes.

Depois, os frutos de aparência surreal. Os
maiores já em ponto de colheita.
O sabor lembra o chuchu, mas talvez mais esponjoso, macio. A casca deve ser removida antes do cozimento - aliás, é bom fazer isso dentro da água, porque é um fruto repleto de látex branco. O miolo deve ser descartado, restando a polpa branca e fofa. Ela é tão leve que, ao ser colocada na panela com água, boia na superfície, feito isopor. Cozinha rápido e pela textura e sabor suave, é versátil e pode ser usada em sobremesas, geleias e doces cristalizados, a exemplo do mamão-verde. Não vi diferença em relação ao chuchu, exceto pela textura mais macia.

solta muito látex. descasque dentro
da água para não manchar as mãos, parece tinta de parede.

a minucia da organização das sementes.
a natureza é minuciosa, não? a paina, ainda imatura,
tem a cor e a textura da seda.

cozido, você não diz que não é chuchu, apesar da
textura mais macia. cozinha em 10 minutos e não
deixa a mão grudando.
A planta é rustica, tolera pelo sol, é pouco atacada por pragas e pouco exigente em relação à fertilidade do solo. Em solos mais ricos e úmidos, claro, vai produzir uma boa quantidade de frutos. elo crescimento rápido, é uma fruta que poderia ser produzida sem problemas em larga escala, porque é oferecida, produtiva e abundante. Se multiplica também por estacas e pedaços de galhos mais antigos. As flores são brancas ou roxas, perfumadas, pendentes e muito ornamentais. É daquelas plantas que vou querer ter sempre comigo, porque é bonita, produtiva, fácil de cultivar e rústica.

4 comentários:

  1. olá Guilherme:
    vivendo e aprendendo!
    tinha um pé desses que quando deu frutos, pensei que será isso?
    realmente pensei ser um chuchu rústico, mas quando notei o quanto era invasivo , tirei fora.
    agora nasce em vários lugares, por causa das sementes. agora que sei que é comestível vou deixar crescer e cuidar .
    muito obrigada pela informação.
    grande abraço e bom fim de semana !!
    Eliane.
    http://elianeapkroker.blogspot.com.br/

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  2. Boa noite, Guilherme. Gostaria de saber se além desses dois que apresenta na página, dispõe dos seguintes itens seguintes. Desde já, muito obrigado. Saudações.
    Rubens benssoul@gmail.com

    Capuchinha Dobrada Creme

    Muda de Araruta Vermelha \ Biri \

    Muda de Galanga

    Taioba Branca

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  3. Suspeitei que uma planta que vi no terreno vizinho seja um chuchu de vento, mas tem só um detalhe diferente: a flor tem uma parte branca e outra lilás fraco, é uma variedade?

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