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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cacto pé de mamão, saborosa, brasiliopuntia

Brasiliopuntia brasiliensis

As pessoas ainda não associam muito bem cactos com alimentação. Para muitos, é uma surpresa descobrir que eles servem para mais coisas além da ornamentação. Em regiões onde não há abundância de água, como no nordeste, a palma, usualmente cultivada demarcando cercas e limites, é transformada em alimento para os animais sedentos. A população come, mas em último caso, porque cacto é comida da miséria, da fome, do desespero. Mas não deveria ser.

No México, um país tão rico em cactáceaes como nós, os cladódios de alguns cactos palmados, que parecem verdadeiras raquetes de tênis, são tradicionalmente usados na culinária. Isso é uma excelente ideia por vários motivos. A primeira, o cacto de desenvolve com pouca água, então é um cultivo mais sustentável que outras culturas. Também são muito nutritivos, com alto teor de vitamina A, cálcio, proteína, e fibra alimentar. Ainda, são fáceis de cultivar, de propagar e de serem mantidos no pós-colheita.


Os cactos comestíveis estão cada vez mais famosos. Aliás, a pitaya continua sendo uma fruta cara, mesmo após tantos anos de sua inserção no mercado nacional - e muitas vezes sob um nome em inglês, para uma fruta tão brasileira. Temos esporadicamente o figo-da-índia nos mercados, também. Cada um com sua textura, sabor e coloração. A pitaya tem polpa branca ou magenta, macia e quase sem fibras, de sabor delicado, enquanto a polpa do figo da índia é alaranjada, fibrosa e com aroma que lembra um tanto abóbora. Esses tempos, falei da ripsalis ou cacto macarrão, de frutos também comestíveis, embora minúsculos feito pérolas. A ora-pro-nobis entre, por fim, para a lista dos cactos famosos na cozinha, seja pelas suas folhas ou pelos frutos alaranjados e ácidos. 


Sobre o consumo das folhas (raquetes) fica para outra postagem. Sobre os frutos, falaremos nessa. Aliás, nessa postagem os tema será os frutos de uma espécie de cacto muito comum aqui na minha região, a Brasiliopuntia brasiliensis (o cacto ufanista?). Essa planta é bem distinta porque cresce de forma semelhante a uma pequena árvore, com um tronco principal arredondado e folhas achatadas com poucos espinhos, chegando a mais de 5 metros de altura. Tem como característica tolerar umidade e sombreamento, sendo comuns no paisagismo urbano crescendo mesmo nas sombra de outras árvores. Parece contraditório para um cacto, não?



O fruto é arredondado e repleto de espinhos quando maduro, podendo ser amarelo, laranja, vermelho ou rosado. Os espinhos são finos, castanhos e se soltam com facilidade, infestando as mãos e as roupas e causando grande incômodo. Deve ser uma das razões para que não sejam frutos tão comuns no mercado. Para removê-los, uma escova de cerdas duras ajuda, ou passando-os no fogo e promovendo uma depilação dos espinhos. Pessoalmente acho a depilação no fogo muito prática e eficaz.



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A polpa é branca, suculenta, viscosa, doce, saborosa e ácida, entre a pitaya e o kiwi. Há apenas um grande caroço no meio. Pena que é pouca e os frutos, pequenos. As cascas dos frutos, assim como da pitaya, devem prestar-se para geléias e doces, desde que devidamente removidos os espinhos (passe no fogo e depois uma bucha sob água corrente). Os frutos relativamente imaturos tem algum oxalato, porque senti minha garganta pegando. Tenha certeza de ter colhido apenas os mais maduros e doces.


Apesar do trabalho, é uma fruta gostosa, de planta ornamental e abundante. Vou adotar como árvore natalina, certamente. Tem coisa mais linda?


Um comentário:

  1. Realmente uma árvore (cactos) muito bonita, parece um pinheiro de cactos.

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