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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tupinambo: como plantar

Já falei dos tupinambo em outras postagens do blog - dê uma olhada em textos antigos na ferramenta de busca do blog à direita :)

Devo ter contado da minha paixão pelos tupinambos e pela minha frustração nas sucessivas tentativas de cultivá-lo, que sempre deram errado. Mas o tempo vai passando, e malandramente vamos descobrindo que dá e o que não dá certo. E fazendo muitos testes, sempre. 

Só para quem não conhece, vou contar: trata-se das batatas de um tipo de girassol, chamado de tupinambur, alcachofra de jerusalém, sunchoke ou jerusalem artichoke. De alcachofra, tem o parentesco e o sabor, mas nenhuma semelhança, afinal, é uma batata.

Os meus eu ganhei de um amigo, que provavelmente ganhou de alguém que viajou para fora do país e trouxe. Desconhecido por aqui, um tanto mais fácil de encontrar na Europa, Japão e nos EUA. Em climas frios, é invasivo e cresce abundantemente. Aqui no sudeste, de invernos amenos, precisa de mais cuidados, porque, caso o inverno seja quente, ele apodrece e desaparece. Ensinei aqui como conservar os bulbos para que não apodreçam no calor do inverno.

E para que complicar e comer algo tão trabalhoso de cuidar? Porque sim, ué. Porque é gostoso, porque é saudável, porque é bonito. Muitas coisas que comemos dão muito trabalho, só que são mecanizadas e feitas em grande escala, daí não nos damos noção do trabalho. Se fosse uma planta mais resistente depois de colhida, seria tão comum quando a mandioquinha ou o cará, porém, estraga fácil. Talvez se embalada e manuseada de forma cuidadosa, em caixotes pequenos de madeira com 
palha, aguentasse. Mas é tratada como uma mandioca, enquanto é frágil como um morango. Uma pena.

Sim, deu certo. Guardados em abril-maio em areia úmida e esterilizada, começaram a brotar espontaneamente na geladeira no final de agosto. Não perdi nenhum, estavam intactos. Sem fungos, sem mofo, sem podridão, nada. Perfeitos. Eu inclusive comi um - a única coisa que mudou foi que estava adocicado. Agora não sei se por causa do broto ou do frio da geladeira. Mas estava doce como uma yacon.

Foram para a terra dia primeiro de setembro. Canteiros bem férteis, adubados com esterco, compostagem e com uma cobertura generosa de folhas secas, para ficar sempre fresquinho e úmido. Li que resiste à ambientes secos, já meu amigo, que cultiva em Botucatu, disse que adoram água.

Crescem bem rápido: depois de um mês, já estão com quase três palmos de altura. Torcendo para que eles sobrevivam ao calor do verão.

Mas fica o registro: a técnica de deixar refrigerado em areia úmida funciona perfeitamente. 

Brotando, na geladeira. Abri o pote e tive a surpresa.
Já estavam enraizando. Como a areia é solta,
consegui remover sem danificar.


Primeiro canteiro, com um mês;

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