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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Diferenças entre fruta-do-conde, ata, pinha, anona, atemóia e biribá



Essa é uma dúvida que sempre surge nos e-mails que recebo. Como tinha as frutas em mãos, resolvi fazer uma postagem. A família das Anonáceas é grande e em geral, possui frutos comestíveis (in natura e também usados como condimento). Essa família é comum em regiões tropicais, sendo muito comum de norte a sul do Brasil, com inúmeros espécies diferentes que poderiam ser usadas na alimentação. O Helton, maior frutólogo do Brasil, já falou sobre várias delas (aqui).

A forma mais fácil de identificar as mais comuns talvez seja por fotos e nome científico, porque há muitos nomes populares em comum entre elas. Pinha, por exemplo, é usado para quase todas, devido ao formato que lembra a pinha do pinheiro. Ainda que possam ser parecidas, o sabor é bem diferente dependendo da espécie. Algumas, como o marolo, são muito fortes para serem comidas in natura, compondo sucos, mousses e licores.



A primeira espécie é o marolo (Annona crassiflora), também chamado de araticum e araticum-do-cerrado. Essa é bem distinta e difícil de errar - o fruto é arredondado, quando maduro fica com uma cor marrom. A casca se solta fácil em "escamas". A polpa é amarela e fortemente aromática (lembra um pouco peque e abacaxi maduro), chegando a mais de 1kg por fruto.

A segunda é a Anonna squamosa, chamada de ata, pinha, fruta do conde e anona. Essa fruta, quando madura, fica com a casca verde salpintada de preto; a casca de solta facilmente, "desmontando" as escamas. Muitas sementes, polpa "solta", muito doce, pouca acidez, textura granulosa.

A terceira é a atemóia (Anonna cherimola x squamosa) , um híbrido entre a ata (Anonna squamosa), nativa do Brasil, e a chirimoia (Annona cherimola), uma fruta Andina. O próprio nome é uma mistura das duas: ata + cherimoia = atemoia. Porque ela foi desenvolvida? Esse cruzamento surgiu buscando uma planta com a resistência e a doçura da ata, e a durabilidade, sabor, textura da cherimoia, além de menos sementes. Essa fruta pode ter tamanhos variados, mas em geral tem a casca verde e menos irregular, não fica escura quando madura, a casca não se solta facilmente da polpa, tem poucas sementes e polpa mais firme, que permite ser fatiada. O sabor é mais ácido e aromático do que a ata. O fruto pode passar de 1kg conforme a variedade, mas as comerciais são em geral do tamanho de uma laranja-bahia.

A quarta é o biribá ou pinha-amarela (Rollinia mucosa), uma planta nativa às vezes confundida e chamada de fruta-do-conde. Essa fruta é bem diferente - tem a casca amarela quando madura, sementes pretas, polpa gelatinosa (como o nome diz, lembra textura de muco), doce mas também ácida, de sabor suave e quase sem aroma. Suas muda é comumente vendida como fruta-do-conde no estado de São Paulo, mas a árvore é bastante distinta. O fruto pode passar de 1kg. 

Por fim, a graviola (Anonna muricata) é uma fruta bem distinta das demais - chega a muitos quilos, tem a casca verde, é repleta de sementes e tem a polpa muito aromática, não tão doce e levemente ácida. Ela se difere em especial, pelo tamanho, sendo quase 10x maior do que uma fruta-do-conde, por exemplo. Na aparência, ela lembra mais a atemóia.

Condessa (Anonna reticulata),
foto daqui
Adendo: existe uma fruta denominada condessa (Anonna reticulata), que não é nativa do Brasil, mas gera confusão. Ela tem a polpa branca e doce, parecida com a da ata, porém sua casca fica avermelhada e não se desmancha com facilidade.

12 comentários:

  1. Esclarecedor, apenas me parece que outro texto diz que a ata ou pinha ou fruta do Conde não é nativa do Brasil, ao contrário deste, e tem esse nome porque certo Conde a trouxe para cá.

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  2. Não sei se é exato, mas sempre ouvi dizer que era a fruta preferida do Conde D'EU E OS escravos se referiam à ela como sendo a fruta do conde

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  3. Só sei dizer que de todas elas:o ariticum é incomparável, uma delícia! a que mais se aproxima dele é a Atemoia.A planta do ariticum é um arbusto, tipo moita, não como árvore, muito comum em campo, como pastagem de gado.

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  4. Articun que delicia, mas Articun sim .seu pé e uma árvore porque já colhi no cerrado.várias vezes

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  5. Articun que delicia, mas Articun sim .seu pé e uma árvore porque já colhi no cerrado.várias vezes

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  6. Gostaria de saberonde encontrar folhas de graviola

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  7. Nasci no sul do Piauí nq cudade de Curimatá-PI mais precisamente no interior chamado de Buriti do Meio, e na minha infância comi muito uma fruta nativa do local chamada de Ata muita gostosa ela dar uma ávore alta e só nasce em local de brejo ou bouquerão local com bastante umidade, sair de lá ainda criança com 8 anos de idade e não mais voltei, mais fiquei sabendo que esta fruta que era muita saborosa não existe mais, gostaria se alguém conhece ou sabe se em outro local existe essa fruta, ela é uma fruta gtande parecendo um articum dos grandes só que a difença que o cheiro e mais agradavel e de um sabor inagualavel e a ávore e alta mais ou menos 5 até 10 metros de altura, gostaria muito de saber que ainda existe esse fruto que marcou muito a minha infância.

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    1. Moro em Piripiri no Piauí, com estas características só conheço o araticum, pois tenho um pé de araticum no meu quintal e ele é uma árvore bem grande, 3 metros mais ou menos, e ata que conhecemos aqui, é a que no sul do país chamam de linha.

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    2. Desculpa, o nome é Pinha, lembrei que tem uma outra fruta que chamamos de condessa ou fruta do conde, e que até bem pouco tempo eu só conhecia uma variedade que tem a casca lisa e a cor é semelhante a do araticum, e a três meses conheci uma condessa de casca rosada, mas também lembrei da minha infância, que na frente da minha casa tinha um pé de condessa com as características que você deu, árvore grande, o fruto se assemelha ao araticum e o cheiro é diferente e também algumas pessoas do sul do país chamam de ata, mas aqui ela pode nascer em qualquer lugar, mas hoje não é tão fácil encontrá-la, mas ainda existe.

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    3. Desculpa, o nome é Pinha, lembrei que tem uma outra fruta que chamamos de condessa ou fruta do conde, e que até bem pouco tempo eu só conhecia uma variedade que tem a casca lisa e a cor é semelhante a do araticum, e a três meses conheci uma condessa de casca rosada, mas também lembrei da minha infância, que na frente da minha casa tinha um pé de condessa com as características que você deu, árvore grande, o fruto se assemelha ao araticum e o cheiro é diferente e também algumas pessoas do sul do país chamam de ata, mas aqui ela pode nascer em qualquer lugar, mas hoje não é tão fácil encontrá-la, mas ainda existe.

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    4. Moro em Piripiri no Piauí, com estas características só conheço o araticum, pois tenho um pé de araticum no meu quintal e ele é uma árvore bem grande, 3 metros mais ou menos, e ata que conhecemos aqui, é a que no sul do país chamam de linha.

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  8. A minha infância TB foi marcada por essa fruta,pena que não encontro com facilidade aqui em Salvador.

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