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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Matos que não são de comer: Botão de Ouro

Identificar plantas é realmente difícil - especialmente quando se tem pouca informação sobre o assunto, e a planta não tem nenhuma característica marcante. Esses dias percebi uma plantinha nascendo em grande quantidade aqui pelo bairro, e fiquei intrigado - nunca havia notado ela por aqui. Agora, aquela dúvida, negligência da minha parte ou ela realmente infestou o bairro com rapidez assustadora?

A resposta: não sei. Mas achei importante citar a Botão de Ouro aqui, porque ela é parecida demais com outra planta comestível - a erva-da-moda, ou picão branco, ou galinsoga. Não falei dela antes, mas falarei em breve. Como ela ainda não está em época no Brasil inteiro, vou deixar pra falar da que se come mais pra frente.

Mas falemos da que não se come.

Não pareço apetitosa? 

A danada tem cara de verdura! Antes de ter flor, as folhas são macias, delicadas, pouco fibrosas. Eu cheguei a confundir com outra e provei - o gosto não é ruim, mas ela pode fazer mal se ingerida em excesso.  E senti um pinicar na boca, denunciado pelo que a bibliografia comprovou: teor alto de oxalato de cálcio. Assim como a erva-branca, que falamos em postagem passada, essa não tem registros de que pode ser comida, e eu não arriscaria. Existe uma publicação obscura de 1982 (link aqui) sobre plantas consumidas em períodos de escassez e fome generalizada na China que apenas a cita, mas sem expressar preparo ou partes usadas. Pelo sim e pelo não, deixemos para as abelhas, que estão fazendo a festa.

A planta é tradicional da medicina chinesa, e existem muitos trabalhos citando-a, especialmente para uso externo, como cicatrizante, anti-inflamatória e analgésica. Porém, não achei referências de posologia ou dose, então, nada de recomendações medicinais por aqui.

Mais uma vez, problemas na nomenclatura popular. A botão de ouro (Siegesbeckia orientalis), que não se come, tem o mesmo nome que o botão de ouro, picão branco ou erva da moda, que se come (Galinsoga parviflora). E esta última também tem o nome do verdadeiro picão-branco (Bidens alba) que já falamos nessa postagem aqui. Ou seja, nomes populares realmente são confusos. Mas fique tranquilo, elas são fáceis de diferenciar.

(Siegesbeckia orientalis) A botão de ouro que não se come.

(Galinsoga parviflora)
 A botão de ouro, ou erva-da-moda, ou picão branco,
 que se come. 

Botão de ouro comestível e não-comestível, nascendo juntos.
O de folha larga, não se come. O de folha miuda, come-se.


(Bidens alba) O picão branco verdadeiro, que se come.

Para identificar, é fácil se você tiver a flor. Ela é cercada por cinco folhas verdes compridas (o termo correto é bráctea) em torno da flor, levente viscosas e cobertas com uma resina de aroma suave. Não tem erro!

Cinco bracteas verdes em torno do botão.

GUIA DE IDENTIFICAÇÃO
Porte herbáceo, ramificada, de até 40cm de altura. Folhas simples, opostas, serrilhadas, cobertas por penugem, com textura pegajosa nas partes mais jovens. Flores em forma de capítulo, surgindo da ápice do ramo ou axila das folhas na ponta do ramo, flores pequenas, inodoras, com pétalas amarelas pequenas. Todas as flores cercadas por 5 brácteas viscosas na cor verde. Sementes escuras, achatadas, em fruto em forma de capsula.

LOCAL DE OCORRÊNCIA
Qualquer local ensolarado. Nasce em calçadas, mas é menos comum em frestas. Capaz de infestar jardins inteiros em pouco tempo. Flores melíferas - há sempre abelhas rondando.

Um comentário:

  1. Obrigada pelo post. Nasceram na minha hortinha espontânea e eu não estava encontrando informações para identificar.

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