quinta-feira, 21 de maio de 2015

Bertalha na Janela. Verde atrai verde. Varanda PANC.

Comecei a nossa conversa sobre a Bertalha na Janela no final de fevereiro. Tudo começou com uma batatinha que coloquei num vaso que estava ocioso.

Em fevereiro
Sim, ela cresceu rápido. Abril de 2015.


Em Maio de 2015, com flores.
Nesses tempos, muita coisa mudou na varanda. Antes, era raro ver um passarinho voando por aqui, e agora há beija-flores quase todo dia passeando pela varanda. Na foto eles não saem porque minha câmera não é a ideal, eles se transformam em borrões azulados.

Não dei muita atenção para a planta e ela foi tomando a frente da varanda, sem muito controle ou intervenção. Apenas pegava os galho que tentavam crescer na janela do vizinho e ia reinserindo no mosaico da moita, e ela foi se enredando, com en el muro la hiedra. 

Verde atrai verde. É interessante como uma simples planta aumenta nossa percepção de cuidado, de responsabilidade. Pelo tamanho que ela tomou, num vaso tão pequeno, a rega precisa ser religiosa, metódica, ritualística. E sinto que ela gosta de conversar, ela me chama. Fico ali, parado, imaginando quanta energia tinha dentro daquela batatinha, quanta vida está nas pequenas coisas, esperando pra se espalhar, pra irradiar. A mesma sensação boba que tenho quando vejo uma pequena semente de uma grande árvore. 

A sazonalidade se faz ver. Os dias mais curtos, o frio chegando, de uma semana para outra ela parou de fazer brotos. A natureza veio e soprou-me no ouvido: o outono chegou. Agora é hora de fazer reservas, para o frio, para o inverno. Dos brotos que estava surgindo, pequenos bulbos começaram a aparecer, inchados, indicando que a planta está se precavendo, fazendo reservas, pensando na prole. Mas o melhor estava por vir. 

Das folhas, tenho dó de colher, mas sei que no inverno a planta seca e os bulbinhos despencam nas ventanias, esses eu hei de colher. Outros, vou usar pra me nutrir, outros, eu vou nutrir com mais terra, com mais composto, com mais ciclos. E fazer uma nova parede verde da minha varanda, pra total estranhamento dos vizinhos, que tanto adoram um concreto (os jardins aqui do prédio são relativamente abandonados, veja só).

E se não fosse pouco, flores. Inúmeras, perfumadas, melíferas, albas, estreladas, aromáticas. A sorte de ter flores em casa. Agora me diz, não são esses pequenos prazeres que revigoram a gente, nos conectam?

Flores em profusão. Chegou o inverno, e as abelhas.

Cada uma, uma estrela, uma galáxia, o universo inteiro.

A varanda mais bonita da cidade.

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