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sábado, 26 de julho de 2014

Crepe-do-Japão. Verdura de Inverno.

Está aí uma verdurinha que quase ninguém conhece. Ela aparece mais essa época do ano, quando as temperaturas estão mais amenas. No calor, em geral, flore menos e fica na forma vegetativa, parecida com um pezinho de alface. Aliás, é uma planta correlata, e eu sinto nela um gosto suave de alface.

O crepe-do-japão tem esse nome porque foi descrito primeiramente na Ásia (Crepis japonica). Em inglês, é chamado de Hawksbeard, ou seja, barba de falcão. Eu nunca vi um falcão de perto, muito menos sei se ele lá tem barba. Como acho que o nome Crepe do Japão lembra bastante seu nome científico, acho que fica mais fácil de não confudir. Já pertenceu aos gêneros Youngia, Prenanthes e Chondrilla, mas parece que chegaram a um consenso.

O gênero Crepis possui mais de 100 espécies, mas a única que encontrei aqui no Brasil foi a Crepis japonica. Mas são todas comestíveis:  Crepis setosa, Crepis runcinata, Crepis glauca, Crepis capilaris, Crepis bursifolia, Crepis vesicaria e Crepis tectorum. Algumas com flores menores e mais delicadas, outras bem parecidas com o dente-de-leão, de flores enormes e amarelas.

O nome Crepis vem primeiro do Grego, Krepis, com uma tradução obscura. Em algumas fontes, vi que significa "Sapato", uma referência muito imaginativa ao formato das sementes. Eu pessoalmente não imagino um sapato ali, talvez por não saber o que os gregos esperavam de um sapado. Então, achei outra referência, onde no Latim crepis já era referido a um tecido macio, encrespado, amassado. Aí sim faz sentido: basta imaginar os tecidos de crepe, com sua textura característica. As folhas da Crepe-do-Japão são assim: parecem uma folha de Dente de Leão amassadinhas.

Elas nascem sempre em grupos, porque as sementes não voam muito longe e sempre caem pertinho uma das outras, na proximidades. Agora no outono-inverno, você vai ver suas florezinhas amarelas de 1cm por toda parte. Em geral, sempre varias plantas juntas, formando um canteiro de Crepes.

O sabor? Lembra alface, almeirão. Às vezes, um pouco amarga, mas em geral, muito parecida com a alface. Não consegui encontrar estudos sobre a Crepis, seu valor nutricional. Mas extrapolando, imagino que seja parecida com a da alface e do almeirão.

Gostam de locais com pouca perturbação, solos um pouco mais férteis e certa umidade. Em geral, gostam de nascer próximas a paredes, muros e blocos de pedra, que conservam mais a umidade. Pare e repare!

Todas parecidas! De cima para baixo, sentido horário: chicória, dente de leão, alface e almeirão.

As flores da Crepis japonica.

GUIA DE IDENTIFICAÇÃO
Crepis japonica. Porte herbáceo em forma de roseta, ereto, anual, tenra, leitosa, de caule liso, até 30cm de altura. Flor parecida com a do dente-de-leão, da alface e do almeirão. Sementes pequenas, aladas, escuras, agrupadas como as do dente-de-leão. Folhas: oblongas, macias, enrugadas e encaracoladas. Raíz principal pivotante, profunda.

LOCAL DE OCORRÊNCIA
Locais úmidos, sombreados ou ensolarados, de pouca perturbação. Próxima a muros, paredes, hortas, sementeiras.

MODO DE PREPARAÇÃO
Cruas ou cozidas. Saladas, ensopados, tortas, bolinhos, sucos verdes, refogadas.

3 comentários:

  1. Ontem comi a crepe junto na salada. A que eu colhi tinha o sabor tão suave que se confundia com a alface. Li num blog americano que essa planta tem propriedades anti-virais e anti-carcinogênicas.

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  2. arranco este mato do meu quintal e fico triste como ele se espalha .
    agora lendo seu artigo , descobri que tenho algo valioso e de graça vindo nascendo por aqui...
    muito obrigada por esta informação valiosa !!!
    belo blog o seu !!!
    grande abraço e bom fim de semana...
    :o)
    http://elianeapkroker.blogspot.com.br/

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  3. Guilherme, meu bom orientador nessa selva de matos, posso comer as flores também?
    Beijos,
    angela

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