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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Espinafres do Mato, outras variedades

Aqui na Zona Norte tem uma Horta Urbana, a Hora da Horta, que vem sempre verduras fresquinhas e orgânicas. O terreno é uma concessão e na parte onde nada pode ser construído, abundam os matos e as plantas não convencionais. Uma delas é mais difícil de achar pela cidade, mas lá encontrou um ambiente fértil para se desenvolver.

Da família das Amaranthaceas, parente da quinua, do amaranto, do caruru, espinafres cultivados e selvagens, existe outro espinafre-do-mato, ou ainda, perpétua-do-campo. Nome científico Alternanthera tenella. É facilmente reconhecido quando está com flor, onde fica cheio de pompons na cor branca, sempre próximo as folhas. Porém, deve ser colhido enquanto ainda é fresco, tenro e macio, sem as flores.

Prefira as plantas nascidas em solos férteis e mais sombreados - as folhas ficam enormes e mais vigorosas. Sem grandes surpresas, o sabor é idêntico ao do espinafre, mas mais suave. Uma característica gastronômica é sua capacidade de manter seu formato mesmo depois de cozido - nada parecido com a escarola, por exemplo, que se desintegra se passar do ponto.

Com flor, em local ensolarado: folhas pequenas.

Em local sombreado: folhas grandonas.


As flores, aparecendo



Não consegui tirar sementes, então não posso dizer como separá-las. De qualquer forma, algumas estacas maduras podem ser usadas para fazer novas mudas (procure os caules mais velhos e arroxeados). Ou colha umas ramas e deixe pra enraizar em solo fértil ou na água.

Na literatura, consta como comestível, mas não é super difundida. Não nasce tanto nas frestas da calçada, mas gosta de terrenos mais estabelecidos - terenos baldios, gramados, fundos de horta. Já vi vários desse na USP butantã, no Ibirapuera e no parque Vila Lobos.

Há ainda a espécie Alternathera philoxerioides, de caules grosso, que nasce na beira de lagos, rios e canteiros úmidos. A Horta das Corujas, em SP, que tem uma nascente, está cheia deles. O uso é similar.
Alternanthera philoxerioides. Gosta de lugares úmidos, o caule é
 longo e grosso e as inflorescências, maiores.
Depois de colhido, lave-o e remova as folhas. Secas e lavadas, aguentam até uma semana na geladeira. Congelam muito bem. A textura parece fibrosa, mas depois de cozida fica perfeita, e não desmancha.



Como são do grupo do espinafre, precisam ser fervidas antes do consumo. Basta ferver água com um pouco de sal, colocar as folhas e nesse caso, deixar uns 3 minutos para amaciar, e depois descartar a água.

Dessa vez, a receita feita foi de bolinho.





Bolinho de Espinafre do Mato com Parmesão e Cogumelos

Ficam leves, cocantes, saborosos e saudáveis. Iguaria! (E ainda aproveita aquele arroz que sobrou na geladeira).

Os ingredientes

Parte do arroz, já processado

Temperos

O cogumelo, já hidratado e picado. Perfumado!


Ingredientes:
1 maço grande de folhas de espinafre selvagem lavadas e branqueadas (fervidas)
1 cebola grande picada
3 ovos pequenos
3 xicaras de arroz cozido, frio
1/2 xícara de cogumelos desidratados (usei chiitake)
1 dente de alho pilado
1/2 xícara de parmesão ralado fresco
3 colheres de sopa de amido de milho (opcional, pra dar liga)
2 colheres sopa de azeite
sal a gosto
salsa e cebolinha a gosto

Preparo:
Adicione água fervendo sobre os cogumelos. Espere 15 minutos. Escorra, aperte bem e pique finamente na faca.
Pegue metade do arroz e coloque no processador com os ovos, o queijo, o sal, a cebola e o alho.
Bata até homogenizar. Passe para uma tigela ou bowl.
Pique o espinafre e adicione na mistura.
Acrescente os demais ingredientes, o restante do arroz e misture com as mãos até dar a liga.
Caso a massa esteja mole, adicione colheradas de amido até ficar mais sequinha.
Faça bolinhas pequenas e frite em óleo vegetal até dourar. (Ou pincele óleo e asse no forno bem quente, em forma forrada com papel-manteiga).

GUIA DE IDENTIFICAÇÃO
Alternathera tenella, Alternanthera philoxerioides. Erva anual, rastreira, com folhas pontiagudas, de textura áspera, opostas. Inflorescências brancas nas axilas das folhas.

LOCAL DE OCORRÊNCIA
Locais secos para A. tenella e locais brejosos para A. philoxerioides. Gramas, parques, fundos de quintal, praças.

FORMA DE PREPARO
Sempre cozida, por ser fibrosa crua e conter antinutrientes. Fica incrível depois de cozida, muito saborosa.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Guilherme, por que você coloca que é preciso cozinhar por ser do grupo do espinafre? gosto ou outro tipo de recomendação?

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  3. Oi Guilherme, tudo bom? Então, quase todas as amarantaceas tem folhas comestíveis - esse é o grupo do espinafre. Porém, todas precisam ser fervidas antes do consumo, para remover oxalato, saponinas e principalmente, nitritos. O espinafre mesmo, o que vende do mercado (e é de outra família, aizoaceas), também precisa. Toda vem que eu comento que o grupo dos espinafres só se consome cozido, alguém implica: "Mas eu coloco no suco verde faz 10 anos e estou vivo!". Bom, tem gente que toma coca-cola há 50 anos e ainda está vivo, hahaha.
    Não que você vá se envenenar, mas ele reduz a absorção de um monte de nutrientes, como ferro e principalmente, cálcio, além de sobrecarregar os rins e irritar mucosas e estômago. Não sei porque tem gente que ainda teima em consumi-lo cru - cozido, os nutrientes são mais bem aproveitados. Ajudei ou confundi?

    Beijos!

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  4. Nota mental: esse espinafre é mais durinho, a folha é mais rústica, acho que se consumido cru precisaria ser picadinho bem fininho, e mesmo assim teria uma textura meio "de papelão".

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