domingo, 13 de setembro de 2015

Oficinas no XI Congresso de Nutrição Funcional

Abobrinha com cúrcuma e batata doce, patê de capuchinha e
mastruço, doce de batata roxa e chá primavera. 

Acho engraçado quando conto que levo pelo menos três dias para cozinhar para um evento, e que mais da metade desse tempo eu não passo na cozinha. Quem cozinha com ingredientes tradicionais tem tudo à mão, seja num mercado de bairro, seja num empório para ingredientes mais exclusivos. 

As PANC não se enquadram em nenhuma dessas categorias - não são exclusivas nem comuns. São, aliás, tão comuns, que há pouca gente produzindo e pouca gente vendendo. Afinal quem vai dar-se ao trabalho de vender o que cultivar aquilo que nasce sozinho? Preferem a dificuldade de cultivar um delicado alface à resiliente major-gomes, bertalha e ora-pro-nobis. Vá entender.

Ou seja, se vou cozinhar com PANC pra muita gente, surge o problema da escalabilidade. Onde encontrar matérias primas? Na minha rua tem, claro, mas o ideal seria colher de um amniente limpo e saudável, que não uma calçada. E assim foi a peregrinação pelos produtores, praças e hortas de São Paulo. Deu certo? Deu. Cansou? Muito. Foi bom? Foi ótimo!

Esse, acredito, é o maior entrave para quem quer uma alimentação mais variada, mais saudável e mais diversa, mas não tem tempo para peregrinar por hortas e produtores. Temos as feiras de orgânicos, mas ainda é pouco. Precisamos aprender a girar a engrenagem da produção, gerando demanda e gerando produção. E, para isso, o MUDA-SP é um forte ator.

O MUDA-SP em parceria com o XI Congresso de Nutrição Funcional fez um evento lindo, ligado à agroecologia, culinária saudável e alimentação. Fui convidado para duas oficinas com as PANC, trabalhando especialmente com as nutricionistas. Estava um tanto receoso, porque não fazia ideia de qual seria a recepção do público em relação a esse tema.

A oficina rolou no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, e ocupamos um andar inteiro com açõs agroecológicas, oficinas de culinária saudável, degustações, rodas de conversa, vídeos, plantio de mudas comestíveis e muitas energias positivas sendo trocadas. Como é o ano internacional do solo, adotaramo lema Solo Fértil, Água Pura, Alimento Saudável.

Para minha surpresa, praticamente todas as presentes já conheciam as PANC e estavam interessadissimas. Digo no feminino, porque na platéia as mulheres em público majoritário. Algumas inclusive trabalham com as PANC, o que me deixou muito feliz e com um sentimento de gratidão enorme. E compartilharam essa sensação: estava um clima tão gostoso, de troca, de gentileza, de cuidado. As oficinas que me antecederam falaram de saúde, de orgânicos, de biodiversidade, de vida. Foi incrível!

Servimos, na primeira oficina, palak aloo, ou creme de espinafre-d'água e taioba com cubos de inhame. Ainda, servimos uma salada de feijão guandu e aprendemos como preparar a tanchagem, que combinou muito bem com os sabores fortes que a acompanharam. Levei aquele chá que amo, feito de flores como hibisco, rosas, flor de tangerina e ipê, que a cada gole levanta o astral de quem prova. Ainda não estou com as fotos em mãos, mas em breve divulgo as receitas.

Na segunda oficina, fizemos canapés de abobrinha, cúrcuma e folha de batata doce refogada. Para companhar, tivemos um doce violeta de batata doce roxa com leite de coco e patê de mastruço, capuchinha e mostarda silvestre. No final, as pessoas resolveram ousar e foi abobrinha com doce de batata doce, capuchinha com batata doce... e todos provando e testando novos sabores. 


capuchinha com creme de batata roxa e coco

folha de batata doce refogada, rica em antioxidantes


Mãe linda dando uma grande força no evento. Te amo!

2 comentários:

  1. Que bacana ter as pancs num evento desses! Cada vez mais fica claro que precisamos produzir nosso alimento para ter saúde.
    Parabéns pelas criações! Aguardo as receitas.

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  2. Olá, Guilherme!
    Parabéns pelo evento, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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