Dr. Guilherme Ranieri
Pesquisador referência em identificação, cultivo e consumo de PANC
Gestor ambiental de formação, fez sua carreira de pesquisador na USP, sempre dentro dos potenciais da biodiversidade alimentar e da agroecologia. Apaixonado por comunicação, tem extensa produção bibliográfica e nas redes sociais.
Trabalha como professor, palestrante e consultor.


Eu comecei a me interessar por essas plantas de um jeito muito curioso. Na casa dos meus pais, quando mais novo, nascia uma plantinha que eu achava linda, mas nunca soube o nome. Quando fui investigar e descobrir seu nome, já adulto, acabei encontrando informações que ela também era comestível. O ano era 2011 e a planta, a major-gomes (Talinum paniculatum). Eu fiquei fascinado com o fato de uma planta tão comum ser um alimento e ninguém saber disso. Mas ainda faltavam informações: como era a forma de consumo? Combinava com o que? Qual a melhor época de colher? Essa curiosidade me levou a pesquisar mais sobre as outras plantas que eu via nascendo perto de casa, e para minha grata surpresa, a maioria era comestível.
Ao longo dos anos, conversando com as pessoas mais velhas, fui vendo que o que para mim era novidade, para elas era história e tradição. Minha avó, mineira, contava que comia taioba, broto de abóbora, folha de chuchu, serralha e outras ervas da roça, quando era criança. Ou seja, eu não estava inventando nada, e sim redescobrindo um conhecimento que pulou uma geração e sumia no momento em que famílias saíram da roça e passaram pras cidades.
Essa curiosidade inspirou meu mestrado, onde pesquisei o porque esse conhecimento estava desaparecendo. Investiguei pessoas muito idosas que ainda moravam em quintais em pequenas cidades no Vale do Paraíba, e entendi exatamente esse movimento. Estávamos perdendo muito rápido esses conhecimentos, esses pratos e essa cultura. Entendi que o conhecimento da roça e do caipira era um tesouro que estava sendo esquecido, e eu tinha que fazer alguma coisa a respeito.
Nessa época, já escrevia meu blog, que começou como uma forma de registrar essas descobertas. A procura era pequena, pouco se falava sobre isso. Recebia muitas respostas de pessoas mais velhas que contavam, saudosas, de que comiam e conheciam esses alimentos, e sentiam que esses sabreres estavam mais no passado do que no presente. Agora em 2026, resolvi reeditar todo esse conteúdo, com novas informações técnicas e experiências pessoas. Os conteúdos mais profundos, inéditos e mais legais estarão acessível apenas para inscritos, então, se você quer receber esse conteúdo, se inscreva aqui,
O que começou como uma curiosidade acabou virando minha missão em meu trabalho. Em parceira com o Instituto Kairós, uma ONG de São Paulo, passamos a fazer oficinas, vivências e consultorias em diversas áreas. Isso nos levou a produzir mais de 15 mil quilos de PANC para escolas de Jundiaí, mudar toda a logística de uma rede de hospitais em São Paulo, e a fortalecer projetos de agricultura urbana. Em 2025, acabei meu doutorado na USP, pesquisando como foi o processo de criação do projeto de produção de PANC para a alimentação nas escolas e seu impacto nutricional. Você encontra ele aqui.
Percebi que a maior dificuldade nem é encontrar esses alimentos, mas sim, ter certeza na sua identificação. No começo da pandemia criei meu Instagram e publiquei um livro para ajudar as pessoas a identificarem essas plantas, e ele se tornou um best seller na área, o primeiro livro de foraging (identificação de alimentos na natureza) do Brasil, com mais de cinco mil cópias vendidas. Aliás, você encontra meu livro aqui.
Atualmente resido em São Paulo, e no meu apartamento consigo cultivar algumas espécies. Tenho um carinho especial para as plantas aromáticas nativas, porque temos um potencial enorme para temperos, condimentos, bebidas e até perfumaria em nossa flora, e isso ainda é pouquíssimo divulgado. Outro carinho meu são as hortaliças perenes, aquelas que você planta uma vez e colhe para sempre. Também coleciono plantas, em especial hortelãs raras (sabia que existe até com cheiro de morango?), manjericões raros (existe um com cheiro de tutti-frutti e ninguém fala sobre isso!) e plantas com folhas arroxeadas ou esbranquiçadas comestível (variegadas).
Se você gosta do tema de alimentação, saúde, horta, natureza e culinária, vamos ser amigos :)
