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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Orelha de Padre, Mangalô, Lab-lab, Feijão de pedra. Colheita. E as túberas.


Já falamos do feijão orelha de padre ou mangalô ou lab-lab antes, vale dar uma olhada nos arquivos do blog.

Lá em casa eu tive a ideia de plantas feijão orelha de padre por toda parte, esse ano. Existem diversas variedades, e das que tenho, tento cultivar anualmente para manter as melhores sementes e para manter as variedades. Acho que posso dividir em quatro tipos principais o que tenho por lá. O de grãos negros e flores roxas, que foi devastado pelas formigas cortadeiras, o de vagem longa e roxa, que falarei a diante, e o de vagens brancas e gordurosas, de crescimento maior e floração tardia.

Das variedades que plantei, tento manter em cultivo especialmente de grãos brancos, que são mais suculentos e graúdos, mas esse ano ela está demorando demais pra florescer. A planta fica o dobro do tamanho das demais, e é extremamente agressiva. Plantei num canteiro de dahlias ao lado de casa para fazer sombra parcial e seguir pelo cordoamento, mas ela preferiu crescer por entre as telhas e a minha casa estava virando um cenário do Jumanji.

Varanda em abril.
Varanda em maio.
Ao que aprece, o feijão não gosta da música repetitiva
 do sino dos vento. Hehe.
Levantando as telhas. Porque, meu deus, porque?

A floração tardou demais e a planta estava exageradamente grande. Tive que reformar o canteiro das dahlias, e por isso, o feijão teve que ser removido antes da hora. Aproveitei para procurar os bulbos, que todos os lugares comentam existir mas eu nunca tinha visto - e nem por foto. Finalmente pude vê-los de perto. Por ser uma planta parente próxima da Jicama e do Jacatupé, que são feijões batateiros, tive a esperança de colher túberas suculentas, crocantes e adocicadas. 

Primeiramente, fiquei surpreso pelo potencial de fixação de nitrogênio do feijão lab-lab. Os nódulos de bactérias estavam do tamanho de nozes e acho que colhi quilos deles. Para quem não sabe, essas bactérias vivem no solo e através de marcadores químicos são "convidadas" para morar dentro da raiz de algumas plantas, como a maior parte das leguminosas e algumas curcubitáceas, por exemplo. Elas absorvem o nitrogênio do ar e fazem o processo de nitrificação - transformam ar em adubo, basicamente. Esse adubo é usado pela planta, mas depois que ela morre as bactérias são liberadas no solo e a biomassa toda se decompõe e alimenta novamente esses e outros microorganismos. Esse processo lindo se chama adubação verde atrás da mineralização do nitrogênio. É impressionante o tamanho dos nódulos que obtive.


Nódulos do guandu versus do lab-lab (à direita).
Para não descartar, aproveitei para colocar na composteira, pensando no alto teor de nitrogênio e na alta carga de bactérias boas que ele contém. Piquei finamente e adicionei no composto em maturação. Parte eu bati com água e usei para regar as plantas, na esperança de espalhar um pouco desses rizóbios por aí. 

Por fim, achei as túberas do feijoeiro. Duras, esponjosas, fibrosas e levemente amargas, com sabor de terra, nada palatáveis. Fique pensando se não teriam alcalóides, por isso, provei pouquinho. Cheguei a ficar em dúvida se não seriam rizóbios gigantes, mas a estrutura era bem diferente anatomicamente. Então eu não achei as batatas comestíveis, apesar do indicado na literatura. E as colhi antes da floração, então não haviam mobilizado os nutrientes. Tenho para mim que esses rizomas não são comestíveis. E você, já colhei, já comeu, já provou?

As túberas. Não-comestíveis até que me provem o contrário.
Os feijões, por sua vez, podem ser colhidos nos mais diversos estágios. O das sementes brancas tem a vagem recoberta por um óleo pegajoso de odor muito forte, então fico somente com os grãos debulhados. Se as sementes estiverem pequenas, você pode consumir a vagem cozida ou refogada, desde que cozinhe bem para não ficar amarga. Deve ser tirada a fibra das laterais da vagem, como na ervilha torta. A dica é aferventar em água e depois, refogar ou saltear normalmente. Se as sementes estiverem graúdas, ele estará fibroso e pode ser debulhado para aproveitar os feijões verdes, que podem ser usados como feijão verde comum. Mais uma vez, é bom consumi-los sempre bem cozidos. São saborosos e na textura lembram ervilhas. 

Vagem boa pra refogar.

Vagem boa pra debulhar.

Feijões debulhados. E que vinagrete gostoso que viraram! 
Uma pena que esse feijão não aguenta muito o frio do inverno, porque já estou ficando com saudades. Logo menos chega a primavera e é tempo de semeá-los novamente.

2 comentários:

  1. Me desculpe mas isso que você achou nas raízes são nematoides de galha.

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  2. aqui perto de casa tem mangalô preto muito produtivo em um terreno. toda semana pego um monte. achei mais conveninente consumir as vagens do que o feijao maduro (muito trabalho debulhar, nao rende e é bem demorado de cozinhar). e sim, as vagens tem um óleo de cheiro forte de dendê, que permanece mesmo depois de lavar, porém esse aroma some completamente depois de cozinhar (não fica com cheiro nem gosto) e as vagens ficam deliciosas. é minha vagem preferida, sem dúvida, melhor que qualquer ervilha torta que ja comi. quem se deixa intimidar pelo cheiro e aspecto oleoso das vagens não sabe o que tá perdendo, hehe. fica a dica!

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